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Terapia de Orientação

Adicionada | 08 Dezembro 2009 por TiO

A Terapia de Orientação da Realidade (ROT),  é uma terapia social que se baseia em algumas estratégias de repetição continuada de dados reais, da presença continuada de informações actuais e muitas atitudes de (re)socialização.

A técnica de orientação da realidade é de natureza informal e continuada, onde a informação se realiza em cada contacto do paciente com os cuidadores (acompanhantes), os quais comentam a situação do doente, onde está, de onde veio, aonde vai, dia e hora e até as coisas que sucedem no ambiente. As informações são sempre passadas de forma clara, objectiva e lentamente, utilizando a comunicação pessoal, olhares, gestos, contacto físico, voz, sons, e através de objectos, como relógios, calendários, revistas, figuras, músicas, etc.

Principais exercícios da Terapia de Orientação para a Realidade:

1.- Exercícios de deambulação guiada ou orientada para localizar pontos importantes do ambiente. Ex: em casa referir e enfatizar os interruptores de luz, a existência de alarme (se tiver), local da cama, mesinhas de canto, cabeceira, etc.

2.- Exercícios de identificação das cores das paredes, chão, escadas,  esquemas da planta do ambiente em que se encontram.

3.- Participação guiada em tarefas do quotidiano (Terapia Ocupacional), como por exemplo, de costura, cerâmica, colagem, modelismo, painéis de noticias, etc.

4.- Exercícios continuados de reabilitação de memória e cognitiva, através da orientação sobre a situação e circunstâncias actual, como o mencionado acima.

Uma das formas de ROT é a chamada Reeducação Comportamental Activa. Trata-se de uma forma de orientação da realidade que pretende a adaptação ao entorno para uma maior autonomia do paciente, diminuindo com isso sua sensação de inferioridade e dependência. Com a Reeducação Comportamental Activa pretende-se uma intensificação das interacções sociais e com objectos no ambiente circundante para conseguir-se o máximo de independência do doente.

Essas práticas educativas comportamentais (reeducativas, porque o paciente já fora educado alguma vez na vida),  como a terapia comportamental, apoiam-se com reforços positivos e negativos. Pretende-se modificar as relações de dependência, condutas e atitudes do paciente. Deve-se, inicialmente fazer um inventário das atitudes que se deseja modificar, sejam elas inadequadas, ineficazes, apáticas ou geradoras de dependência. Depois de identificadas essas condutas, estuda-se as variáveis que os factores inerentes a estas investigam-se as modificações ambientais e pessoais para chegar-se aos objectivos finais.

Em todas as formas de Terapia de Orientação da Realidade procura-se aumentar o intercâmbio verbal, a frequência de contactos sociais, o incremento da autonomia da marcha e mobilidade, a participação em actividades de grupo, a diminuição das condutas perigosas, inadequadas e ineficazes, a orientação espaço-temporal e do da higiene corporal, etc.

O programa pessoal de intervenção comportamental actua sobre:

1.- Adaptação e modificação do ambiente

O ambiente onde vive o idoso deve ser adaptado para que ele mantenha a máxima autonomia e a mínima dependência. Sinalizações (riscos no chão e marcas nas paredes), iluminação, desobstrução de passagens, remoção de degraus, relógios e calendários de tamanho satisfatório, etc, tudo deve ser planeado para dar maior autonomia do idoso.

Além do ambiente, também os objectos como: roupas, calçados, objectos de higiene pessoal e toucador devem ser idealizados no sentido do mais fácil manuseio. As dificuldades para vestir-se decorrem, muitas vezes, da indumentária inadequada e difícil; calças justas, vestidos de colocar pelo pescoço, sapato de amarrar, etc. O programa personalizado deve  estudar quais são as alterações a serem corrigidas nas roupas e calçados. O cuidador deve, também preparar as roupas, deixar sobre a cama numa sequência lógica a ser seguida. Os reforços ou gratificações positivas devem sempre estar presentes.

2.- Modificação das interacções sociais

 Trata-se da postura das pessoas para com o idoso. Deve-se favorecer sempre a autonomia, condutas treinadas e orientadas, evitar o paternalismo sem deixar de estar atento às dificuldades.

3.- Estimulação e activação

Manter um nível continuado e satisfatório de estimulação; músicas, notícias, jornais, revistas, solicitações, tarefas, afazeres, etc. Tudo no sentido de não acentuar a deterioração cognitiva e desorientação por desinteresse, apatia e conformismo.

Estimular a memória é uma dessas actividades. Na estimulação da memória devemos realçar, prioritariamente, a memória recente ou de curto prazo e a memória autobiográfica. Na deterioração cognitiva a memória imediata se apresenta de forma anárquica, misturando desordenadamente todos os factos. Essa memória só melhora com exercício, como por ex: contar alguma história pré-ensaiada e pedir para o paciente repeti-la ou recontá-la a alguém. É indispensável que a informação recebida seja muito bem compreendida pelo idoso.

 Estimular a memória autobiográfica é essencial para manter a identidade, auto-respeito e auto-estima do paciente. Fazem parte da memória autobiográfica os factos directamente relacionados ao doente e que devem ser estimulados. Ex: deve-se falar sobre viagens, fotos, relembrar visitas recentes, etc.

 Nada se consegue em termos de estimulação se o paciente não for motivado. Essa regra aplica-se, principalmente, à prática de exercícios físicos, caminhadas, actividade intelectual, etc.

4.- Outras estratégias para facilitar a autonomia.

 Estimular a atenção a si próprio é uma das metas para preservar a cognição. Esta atenção a si próprio engloba as actividades para alimentação, higiene pessoal, vestir-se, urinar e defecar sozinho sempre que possível, banho, barba, pentear-se.
Muitas vezes a deterioração cognitiva impede o controle dos esfíncteres e o paciente passa a apresentar incontinências (fecal e urinária). Isso é uma ocorrência que compromete significativamente sua autonomia. Havendo condições é preferível um programa de exercícios perineais para fortalecer a musculatura envolvida na continência fecal e urinária mas, como ocorre na maioria dos casos, não há condições neurológicas e cognitivas para tais exercícios.

 Nesse caso, para a reeducação intestinal e da bexiga exige-se um bom conhecimento, por parte do cuidador, das características fisiológicas do paciente, da hora, frequência, quantidade, das excreções. Pode ser usado o programa de estimulação regular da micção e defecação com posterior gratificação positiva.

Fonte: PsiWeb