Quando eu morri
Adicionada | 03 Fevereiro 2010 por TiO
Quando eu andava lá na terra, o problema era eu portar-me sempre bem, desviar-me daqueles que queriam meter-me em processo fraudulentos, facturas falsas, etc., para que quando morresse ir direitinho para o céu.
De modo que morri. Já estava nas nuvens, muito feliz, porque tinha conseguido, e a primeira coisa que eu fiz foi ir à procura das almas das pessoas influentes com quem lá na terra tanto desejava relacionar-me. Andei, andei, mas nada ! Só encontrava pobres diabos (salvo seja !), daqueles que não faziam mal a uma mosca. Então onde é que estavam os comendadores, os directores dos bancos os donos das grandes empresas, aquelas pessoas influentes com quem eu tanto desejava encontrar-me !
Subitamente, em certa altura, vi na minha frente um vulto. Era uma alma nada alta, para o forte sem ser corpulenta e que tinha a mão direita sobre a barriga, enfiada no casaco.
NAPOLEÃO !!!
Dirigi-me a ele.
“Napoleão, eu ?! – respondeu-me a alma, muito admirada.
“Então porque é que tem a mão enfiada no casaco ?!…”
“Ah! Isso é porque tenho o braço ao peito. Tropecei num anjo que estava à minha frente, ajoelhado, a rezar. Ele pedia a S. Pedro para ser mais condescendente, porque se continuava a ser assim tão rigoroso na escolha das almas que subiam ao céu, qualquer dia não entrava mais ninguém…”
Enviado por Afonso Costa Ferreira, anos


