Mercado de trabalho a envelhecer
Adicionada | 16 Abril 2010 por TiO
Existem menos entradas no mercado de trabalho europeu do que pessoas a reformarem-se.
As alterações demográficas afectam o mercado de trabalho. O estudo da Allianz “Demographic Pulse” (Pulso Demográfico, em português) mostra que na União Europeia, em 2010, o número de pessoas com idades compreendidas entre os 60 e os 65 anos irá ultrapassar significativamente o número de jovens a entrar no mercado de trabalho.
Actualmente habitam na União Europeia aproximadamente 28,6 milhões de pessoas entre os 15 e os 20 anos e 28,8 milhões de seniores entre os 60 e os 65 anos. Em 2010, o défice irá ultrapassar a marca das 200.000 pessoas.
“Ao passo que a geração denominada de “Baby Boomer” se aproxima da data da reforma, a diferença entre as pessoas a entrar no mercado de trabalho e as que entram na idade da reforma irá aumentar nos próximos anos, devendo ascender aos 8,3 milhões de pessoas até 2030″, explica o professor Michael Heise, economista chefe e líder do desenvolvimento corporativo na Allianz.
O dilema do sistema de pensões
Ameaças semelhantes estão previstas para outros membros do G-20, tais como a Rússia, o Canadá, a Coreia do Sul e a China. No Japão, a situação já é mais dramática: 6 milhões de jovens a terminar os cursos não compensam os cerca de 10 milhões de seniores a entrar na idade da reforma. Por outro lado, nos Estados Unidos, o número de trabalhadores em idade activa ainda está a subir. Este facto deve-se à atractividade do país como um destino de imigração e ao crescimento da taxa de natalidade.
Apesar do envelhecimento da população poder ser visto como uma solução para os problemas de desemprego na União Europeia, a verdade é que o desemprego não se irá resolver devido a uma diminuição da população activa. Heise afirma que “O desemprego é um problema estrutural. O nível de formação e a experiência de trabalho de muitos dos desempregados não é compatível com os requerimentos mínimos exigidos pelos empregadores”.
Felizmente, a ameaça demográfica não levará necessariamente a um declinio da economia, ou à marginalização da Europa em relação à “Chinamérica”. No entanto, é essencial adaptar as condições de trabalho à nova estrutura demográfica e às necessidades especiais da mão-de-obra envelhecida.
Manter os seniores activos
Actualmente, em toda a União Europeia, apenas um terço de todas as pessoas com idades compreendidas entre os 60 e os 64 anos permanecem activas. No entanto, devem fazer-se algumas distinções individuais para alguns países.
A pior situação regista-se na Hungria, com uma taxa de seniores activos de 13,3%, enquanto que a Suécia lidera no mercado da empregabilidade sénior, sendo a sua taxa de seniores activos de 63%. Se o resto da Europa conseguir “apanhar” os suecos, teremos mais 8 milhões de trabalhadores até 2030.
Aumentar a proporção de pessoas mais velhas nos locais de trabalho é o desafio que o mercado de trabalho enfrenta no futuro. Segundo Heise, “Em vários países da União europeia já foi dado um passo chave para alcançar este objectivo: nos últimos anos alguns países reduziram os incentivos à reforma antecipada nos seus sistemas de pensões. O próximo passo é criar o ambiente apropriado no mercado de trabalho para estes trabalhadores”.
Mais informação em: Allianz Knowledge


